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"NIÓBIO" - Estreia Absoluta!
"Quem é que vocês acham que nos vai tentar invadir primeiro?"
foto de Paulo Pimenta
Um estranho grupo de personagens separa-se do seu país e proclama a independência de uma nova nação: Nióbio! Mas o povo (três pessoas, uma banda e uma lagosta) acaba por replicar os erros que arruinaram a nação mãe. O futuro é sombrio…
A orgulhosa nova nação de "NIÓBIO" vai declarar a sua independência do opressor Portugal já no próximo dia 7 de Junho em Guimarães!
"NIÓBIO", a 41ª criação Visões Úteis, é uma co-produção com Guimarães 2012 - Capital Europeia da Cultura, e integra a programação dos Festivais Gil Vicente, que este ano acolhem ainda em estreia absoluta as criações dos portugueses João Garcia Miguel, António Fonseca e KARNART.
E é na cidade-berço, e no contexto da celebração da obra vicentina, que abrimos as portas à nossa farsa niobiana, onde traçamos o destino de um jovem país cheio de vícios e erros, importados diretamente da pátria mãe. Uma reflexão plena de humor e mau gosto, sobre a nossa própria necessidade de refundação nacional.
Depois de Guimarães, "NIÓBIO" apresenta-se ainda este mês em Coimbra, Porto e Aveiro.
GUIMARÃES - Centro Cultural Vila Flor Data: 7 e 8 de Junho
COIMBRA - Teatro Académico Gil Vicente Data: 14 de Junho
PORTO - Teatro do Campo Alegre Data: 16 de Junho
AVEIRO - Estúdio Performas Data: 30 de Junho
NIÓBIO 41.ª criação Visões Úteis
texto e direção Ana Vitorino, Carlos Costa
cenografia e figurinos Inês de Carvalho
banda sonora original e sonoplastia João Martins
desenho de luz José Carlos Coelho
co-criação Ana Azevedo
interpretação Ana Azevedo, Ana Vitorino, Carlos Costa, Pedro Carreira e ainda João Martins
fotografia Paulo Pimenta
grafismo Manufactura Independente
coordenação técnica Luís Ribeiro
produção executiva Marina Freitas
assistência de produção Helena Madeira
co-produção Visões Úteis / Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura
duração aproximada 80 minutos
classificação etária M/16 anos
Agradecimentos: Nuno Casimiro, Marta Chantal, José Alberto Ferreira, Pedro Marques, Shirley Resende, Garagem da Lapa, Pizzeria Meidin, Hernâni, Roy Bates, Danny Wallace e a todos os que sonharam e criaram as suas próprias micro-nações.
Refundação ou Morte! Visões Úteis
Vivemos um tempo paradoxal a vários níveis. Divididos entre uma ideia de sacrifício conjunto para a salvação nacional e a frustração que nos faz desejar partir. Entre o apoio fervoroso à nossa seleção e o desânimo quotidiano que nos diz que “este país já não tem volta”. O convite para integrar a programação de Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura inscreve-se num outro paradoxo: aquele em que os artistas e estruturas de criação portugueses vivem atualmente, tentando desenvolver o seu trabalho num país que acolhe a Capital Europeia da Cultura no mesmo ano em que, depois de suspender os apoios ao cinema e os apoios pontuais e anuais às artes, parece preparar-se para extinguir completamente o apoio à criação artística.
Nunca como agora, no ano em que o Visões Úteis atinge a simbólica maioridade de 18 anos de atividade, o contexto de produção influenciou tanto o objeto artístico final. A reflexão sobre o paradoxo e sobre a nossa relação com a própria ideia de nacionalidade impunha-se. E encontrámos ressonância na temática dos Festivais Gil Vicente, onde esta criação se estreia, que este ano sublinham o modo como a obra deste dramaturgo se situa numa época de transição para uma sociedade que se inquieta e questiona o estabelecido. “Chegámos a um ponto tal que só temos duas hipóteses: ou nos refundamos ou nos afundamos!”. No início do processo de criação de “Nióbio”, um membro da equipa resumia assim as ideias que nos moviam.
E foi a pensar em Guimarães, cidade-berço, e na necessária refundação de Portugal que criámos a nação de Nióbio. Um protótipo de país alternativo, nascido para se afundar às mãos dos seus estouvados cidadãos, verdadeiras personificações dos clichés que os portugueses projetam sobre si próprios. E foi a pensar em Gil Vicente que desenhámos “Nióbio” como uma farsa, recheada de crítica aos vícios e costumes nacionais, preparada para estrear, como tantas das criações vicentinas, num grande evento celebrativo, promovido e financiado pelo Estado.
Um evento que pode bem ser o último banquete de um condenado. Num momento que pode bem ser o início de um novo país. Vivemos, sem dúvida, tempos paradoxais…