IETM - Balanço do Plenário de Bergamo
IETM - Balanço do Plenário de Bergamo
Na cidade italiana de Bergamo, entre 22 e 26 de abril, decorreu mais um encontro do IETM – International Network for the Performing Arts, uma rede de que o Visões Úteis é membro e que agrega organizações, artistas e outros profissionais das artes performativas, sobretudo da Europa mas também dos outros continentes. E, depois de alguns anos em que “a crise” dominou as atenções, parece agora poder apontar-se que cada vez mais se trata não tanto de salvar mas de regenerar o que até então existia. E de facto são cada vez mais os novos modos de produção em que se desdobra o setor, sobretudo pela mão das gerações mais jovens, que acharam por bem não esperar pela morte das gerações mais velhas que, de modo resiliente, continuam a ocupar os modos de produção implementados no século passado.
Entretanto, de outros sectores vão chegando também lições importantes, seja através da adoção de modos de produção importados de áreas não artísticas, seja através da consciência da necessidade de (não só mas também) desagregar a defesa do setor da defesa da Cultura em geral, na medida em que os potenciais ganhos desta – como demonstra a experiência com os programas europeus implementados para 2014-2020 – podem não se refletir nas artes performativas em si (isto em função de um entendimento cada vez mais lato de “cultura”).
Sustentabilidade - palavra omnipresente nas sessões de Bergamo - não será então a busca intensiva de financiamentos mas o encontro e manutenção de processos que se possam reproduzir no longo prazo. Isto passará por diversos fatores como a construção de capacidade (através de maior abertura a redes, parcerias e programas europeus) ou a maior ligação às comunidades locais: tornando as organizações numa presença constante e indispensável tanto junto do público – pelos “mundos” que criam – como junto dos decisores políticos – pela capacidade (mensurável) de um trabalho em rede que permite, de modo natural, juntar os esforços de organizações de pequena escala para conseguir resultados que exponenciam a soma das capacidades de cada uma.
Particularmente interessante é o diagnóstico, feito no contexto da dança dos países nórdicos e bálticos, que aponta, entre outras, a insustentabilidade das criações/produções cuja vida se esgota, depois de meses de ensaios, numa temporada curta num único local. Infelizmente não é apenas este exemplo que nos fez pensar em Portugal, já que as práticas da Direção Geral das Artes – nomeadamente o timing de abertura dos concursos de apoio às artes – foram apontadas como exemplo das piores práticas possíveis no sector. Neste campo a DGArtes só foi ultrapassada pelas práticas russas e húngaras.
Durante o encontro, o Visões Úteis cumpriu também as suas obrigações enquanto membro do Advisory Board – um Think Tank para a estratégia de médio e longo prazo da rede e para a ligação aos membros – conduzindo uma mesa de trabalho, participando na reunião do órgão e, talvez o mais importante, trazendo para o Porto a responsabilidade de participar na definição de uma estratégia que permita influenciar as prioridades da União Europeia para… 2020-2030. Porque, infelizmente, grande parte das decisões que afetam a vida dos cidadãos europeus são tomadas com tanta antecedência e opacidade que se torna difícil participar efectivamente nelas.
Entretanto, de outros sectores vão chegando também lições importantes, seja através da adoção de modos de produção importados de áreas não artísticas, seja através da consciência da necessidade de (não só mas também) desagregar a defesa do setor da defesa da Cultura em geral, na medida em que os potenciais ganhos desta – como demonstra a experiência com os programas europeus implementados para 2014-2020 – podem não se refletir nas artes performativas em si (isto em função de um entendimento cada vez mais lato de “cultura”).
Sustentabilidade - palavra omnipresente nas sessões de Bergamo - não será então a busca intensiva de financiamentos mas o encontro e manutenção de processos que se possam reproduzir no longo prazo. Isto passará por diversos fatores como a construção de capacidade (através de maior abertura a redes, parcerias e programas europeus) ou a maior ligação às comunidades locais: tornando as organizações numa presença constante e indispensável tanto junto do público – pelos “mundos” que criam – como junto dos decisores políticos – pela capacidade (mensurável) de um trabalho em rede que permite, de modo natural, juntar os esforços de organizações de pequena escala para conseguir resultados que exponenciam a soma das capacidades de cada uma.
Particularmente interessante é o diagnóstico, feito no contexto da dança dos países nórdicos e bálticos, que aponta, entre outras, a insustentabilidade das criações/produções cuja vida se esgota, depois de meses de ensaios, numa temporada curta num único local. Infelizmente não é apenas este exemplo que nos fez pensar em Portugal, já que as práticas da Direção Geral das Artes – nomeadamente o timing de abertura dos concursos de apoio às artes – foram apontadas como exemplo das piores práticas possíveis no sector. Neste campo a DGArtes só foi ultrapassada pelas práticas russas e húngaras.
Durante o encontro, o Visões Úteis cumpriu também as suas obrigações enquanto membro do Advisory Board – um Think Tank para a estratégia de médio e longo prazo da rede e para a ligação aos membros – conduzindo uma mesa de trabalho, participando na reunião do órgão e, talvez o mais importante, trazendo para o Porto a responsabilidade de participar na definição de uma estratégia que permita influenciar as prioridades da União Europeia para… 2020-2030. Porque, infelizmente, grande parte das decisões que afetam a vida dos cidadãos europeus são tomadas com tanta antecedência e opacidade que se torna difícil participar efectivamente nelas.