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Terça, 28 Abril 2015 13:19

IETM - Balanço do Plenário de Bergamo

Escrito por  Visões Úteis
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IETM Bergamo Programa

 

Na cidade italiana de Bergamo, entre 22 e 26 de abril, decorreu mais um encontro do IETM – International Network for the Performing Arts, uma rede de que o Visões Úteis é membro e que agrega organizações, artistas e outros profissionais das artes performativas, sobretudo da Europa mas também dos outros continentes. 
E, depois de alguns anos em que “a crise” dominou as atenções, parece agora poder apontar-se que cada vez mais se trata não tanto de salvar mas de regenerar o que até então existia. E de facto são cada vez mais os novos modos de produção em que se desdobra o setor, sobretudo pela mão das gerações mais jovens, que acharam por bem não esperar pela morte das gerações mais velhas que, de modo resiliente, continuam a ocupar os modos de produção implementados no século passado.

Entretanto, de outros sectores vão chegando também lições importantes, seja através da adoção de modos de produção importados de áreas não artísticas, seja através da consciência da necessidade de (não só mas também) desagregar a defesa do setor da defesa da Cultura em geral, na medida em que os potenciais ganhos desta – como demonstra a experiência com os programas europeus implementados para 2014-2020 – podem não se refletir nas artes performativas em si (isto em função de um entendimento cada vez mais lato de “cultura”).

Sustentabilidade - palavra omnipresente nas sessões de Bergamo - não será então a busca intensiva de financiamentos mas o encontro e manutenção de processos que se possam reproduzir no longo prazo. Isto passará por diversos fatores como a construção de capacidade (através de maior abertura a redes, parcerias e programas europeus) ou a maior ligação às comunidades locais: tornando as organizações numa presença constante e indispensável tanto junto do público – pelos “mundos” que criam – como junto dos decisores políticos – pela capacidade (mensurável) de um trabalho em rede que permite, de modo natural, juntar os esforços de organizações de pequena escala para conseguir resultados que exponenciam a soma das capacidades de cada uma.

Particularmente interessante é o diagnóstico, feito no contexto da dança dos países nórdicos e bálticos, que aponta, entre outras, a insustentabilidade das criações/produções cuja vida se esgota, depois de meses de ensaios, numa temporada curta num único local. Infelizmente não é apenas este exemplo que nos fez pensar em Portugal, já que as práticas da Direção Geral das Artes – nomeadamente o timing de abertura dos concursos de apoio às artes – foram apontadas como exemplo das piores práticas possíveis no sector. Neste campo a DGArtes só foi ultrapassada pelas práticas russas e húngaras.

Durante o encontro, o Visões Úteis cumpriu também as suas obrigações enquanto membro do Advisory Board – um Think Tank para a estratégia de médio e longo prazo da rede e para a ligação aos membros – conduzindo uma mesa de trabalho, participando na reunião do órgão e, talvez o mais importante, trazendo para o Porto a responsabilidade de participar na definição de uma estratégia que permita influenciar as prioridades da União Europeia para… 2020-2030. Porque, infelizmente, grande parte das decisões que afetam a vida dos cidadãos europeus são tomadas com tanta antecedência e opacidade que se torna difícil participar efectivamente nelas.
Na cidade italiana de Bergamo, entre 22 e 26 de abril, decorreu mais um encontro do IETM –

International Network for the Performing Arts. O IETM é uma rede que agrega organizações,

artistas e outros profissionais das artes performativas, sobretudo da Europa mas também dos outros

continentes. O Visões Úteis é membro do IETM.

E depois de alguns anos em que “a crise” dominou as atenções, parece agora poder apontar-se que

cada vez mais se trata, não tanto de salvar mas de regenerar o que até então existia. E de facto são

cada vez mais os novos modos de produção em que se desdobra o sector, sobretudo pela mão das

gerações mais jovens, que acharam por bem não esperar pela morte das gerações mais velhas que,

de modo resiliente, continuam a ocupar os modos de produção implementados no século passado.

E entretanto, de outros sectores vão chegando também lições importantes, seja através da adoção de

modos de produção importados de áreas não artísticas, seja através da consciência da necessidade

de (não só mas também) desagregar a defesa do sector da defesa da Cultura em geral, na medida em

que os potenciais ganhos desta – como demonstra a experiência com os programas europeus

implementados para 2014-2020 – podem não se refletir nas artes performativas em si (isto em

função de um entendimento cada vez mais lato de “cultura”).

Sustentabilidade - palavra omnipresente nas sessões de Bergamo - não será então a busca intensiva

de financiamentos mas o encontro e manutenção de processos que se possam reproduzir no longo

prazo. Isto passará por diversos fatores como a construção de capacidade (através de maior abertura

a redes, parcerias e programas europeus) ou a maior ligação às comunidades locais: tornando as

organizações numa presença constante e indispensável tanto junto do público – pelos “mundos” que

criam – como junto dos decisores políticos – pela capacidade (mensurável) de um trabalho em rede

que permite, de modo natural, juntar os esforços de organizações de pequena escala para conseguir

resultados que exponenciam a soma das capacidades de cada uma.

Particularmente interessante é o diagnóstico, feito no contexto da dança dos países nórdicos e

bálticos, que aponta, entre outras, a insustentabilidade das criações/produções cuja vida se esgota,

depois de meses de ensaios, numa temporada curta num único local. Infelizmente não é apenas este

exemplo que nos fez pensar em Portugal, já que as práticas da Direção Geral das Artes –

nomeadamente o timing de abertura dos concursos de apoio às artes – foram apontadas como

exemplo das piores práticas possíveis no sector. Neste campo a DGArtes só foi ultrapassada pelas

práticas russas e húngaras.

Durante o encontro, o Visões Úteis cumpriu também as suas obrigações enquanto membro do

Advisory Board – um Think Tank para a estratégia de médio e longo prazo da rede e para a ligação

aos membros – conduzindo uma mesa de trabalho, participando na reunião do órgão e, talvez o mais

importante, trazendo para o Porto a responsabilidade de participar na definição de uma estratégia

que permita influenciar as prioridades da União Europeia para… 2020-2030. Porque infelizmente,

grande parte das decisões, que afetam a vida dos cidadãos europeus, são tomadas com tanta

antecedência e opacidade que se torna difícil participar efectivamente nelas.
Última modificação em Terça, 28 Abril 2015 13:56

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