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Segunda, 07 Julho 2014 11:39

Rivoli 1994 - 2014

Escrito por  Visões Úteis
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Texto que levámos no passado dia 3 de julho ao debate público que teve lugar frente ao Teatro Municipal Rivoli, promovido na sequência da publicação do documento "Teatro Municipal: Que Serviço Público?":

"Há precisamente 20 anos, em 1994, Isabel Alves Costa, Diretora Artística do Teatro Municipal Rivoli, escrevia ao Vereador da Cultura da CMP uma carta em que apresentava uma proposta para o “Rivoli Vazio”. 

Na altura, o edifício ainda aguardava as obras que o iriam tornar no equipamento que hoje conhecemos, mas a Direção Artística não hesitou em avançar, de imediato, com um programa que se espalhava por todos os espaços do edifício. Um programa, na altura, assente em 4 princípios: formação, experimentação, criação e partilha. E isto era possível porque um edifício não é um programa e um programa não é um edifício.

20 anos depois, já é possível encontrar, infelizmente, uma geração de público e de artistas que não tem memória de um programa de Teatro Municipal, na cidade do Porto. Porque ao longo dos últimos 12 anos, três executivos municipais se demitiram da sua responsabilidade de serviço público, da sua responsabilidade de manter e acarinhar uma esfera pública, que fosse mais do que a mera soma do título de propriedade do edifício e equipamento com a apresentação de espetáculos abertos ao público em geral.

Um Teatro Municipal – um programa de Teatro Municipal – tem de ser uma porta aberta entre a cidade e o mundo. Para sair e para entrar. E sobretudo para transformar os modos de olhar a cidade e da cidade olhar o mundo. Condição essencial para a mudança, para o progresso.

Mas, em 2014, o grande desafio que se coloca à cidade é descobrir como articular democraticamente, por um lado, as necessidades, desejos e aspirações dos cidadãos, e, por outro lado, o sentido do voto expresso por esses mesmos cidadãos em função dos programas eleitorais sufragados nas últimas eleições autárquicas.

E para pensar esta encruzilhada, não deveremos esquecer a experiência acumulada pelo próprio Rivoli, ao longo dos últimos anos de desentendimentos, lutas, ocupações e processos judiciais. Talvez lembrar, mais uma vez, as palavras de Isabel Alves Costa, quando confrontada, em 2005 com o fim anunciado do programa de Teatro Municipal.

“ (…) com o distanciamento que hoje penso ter dos acontecimentos, vejo que teria sido talvez possível reforçar a nossa missão, se tivéssemos tido a coragem de abandonar (…) sem nostalgias do passado, o modelo inicial, e se tivéssemos sido capazes de reinventar um novo. (…) É que, face ao futuro negro que se adivinhava, teria sido necessário, mais do que a nossa desmesurada capacidade de resistir, ter tido uma obstinada capacidade de reconstruir...”

E é este grande dilema de 2014: vamos continuar desmesuradamente a resistir? Ou vamos obstinadamente reconstruir?"

Última modificação em Segunda, 07 Julho 2014 12:07

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