Cada apresentação de "O Vento" é antecedida por uma oficina criativa dirigida pelos próprios intérpretes que preparam os participantes para intervir directamente no espectáculo com acções performativas de expressão sonora, dramática, plástica e de movimento. Os participantes são ainda chamados a tomar decisões que definem uma direcção e um desfecho para a história.
O público dá assim corpo ao vento que impiedosamente molda o cenário físico e emocional de duas personagens que, aos poucos, vão perdendo todas as suas referências... até deixarem mesmo de saber quem são!
"O Vento" é um espectáculo dirigido por uma colaboradora do Visões Úteis, a cenógrafa e figurinista Inês de Carvalho, e nasceu da sua anterior experiência com o projecto “As histórias de Amélia (criações sobre a abundância)”.
O processo de criação de "O Vento" iniciou-se em Novembro de 2010 com uma viagem a Castilla-La-Mancha, em busca dos moinhos e paisagens de Quixote, e continuou com uma residência artística na freguesia da Afurada (Vila Nova de Gaia). Aqui trabalhámos com populações escolares e comunidades para recolher imagens, vídeos, histórias, músicas, enfim, as sementes do espectáculo. Os residentes da Afurada colaboraram ainda na construção do cenário de "O Vento" e puderam experimentar o espectáculo a meio do processo de criação, através de duas exeriências-piloto que realizámos em 2010.
Numa sala de reuniões de um hotel, uma Comissão reúne para aprovar o Plano de Acção elaborado pelo Comité Executivo a partir do Programa Estratégico previamente definido e aprovado. Os membros do Comité Executivo (o elenco) recebem os restantes membros da Comissão (representados pelos espectadores) e têm a delicada missão de apresentar de modo convincente o Plano de Acção que prepararam de modo a obter uma maioria de votos positivos.
Ao longo da reunião exibem-se gráficos, esmiúçam-se burocracias e esgrimem-se terminologias. E aos poucos vai-se instalando a dúvida quanto à competência e à isenção dos principais responsáveis...
Conseguirá esta Comissão reunir o consenso generalizado?
Na sequência da crise económica que explodiu em Setembro de 2008, o National Theatre (Londres, Inglaterra) encomendou ao dramaturgo David Hare uma peça de teatro que se confrontasse com a referida situação e com os seus protagonistas. O resultado final foi um texto rigoroso e complexo– em que se recusa qualquer desejo excessivo de dramatização e se procura antes contar uma história de ambição e ganância– intitulado “O poder do sim”, e bem a propósito sub-intitulado “Um dramaturgo tenta compreender a crise financeira”, cuja estreia mundial aconteceu, precisamente, no National Theatre de Londres, em Setembro de 2009.
Na versão do Visões Úteis, “Boom & Bang”, apresenta-se vocacionado para um contacto muito próximo com o público, através do trabalho de 3 actores que convocam uma pluralidade de protagonistas da crise financeira, sem esquecer uma imprescindível aproximação à realidade portuguesa, no que podemos classificar de um espectáculo extremamente divertido, apesar de não ter piada nenhuma!