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Parma [ CM ]
Em Parma há um palácio medieval que tem dentro um teatro
enorme. Quando a luz do sol entra pelas janelas e ilumina parte da
plateia e o chão, deixando tudo o resto na semi-obscuridade,
é o teatro mais bonito do mundo. Eu estive lá nesse
momento há 4 anos, quando conhecemos os Edison. Desta vez não
houve tempo para lá voltar, mas também não era
preciso. Quando reencontrámos os nossos amigos na Praça
Garibaldi, tive a certeza que entrava no teatro nesse momento perfeito.
Edison [ CM ]
Diz o Sérgio que a Edison é o resultado da vontade
de um grupo de amigos, que gostava de cinema e que no seu tempo livre
queria fazer alguma coisa na sua cidade. Depois houve quem precisasse
de transformar o hobbie em vida, a Edison cresceu e profissionalizou-se.
E teve dores de crescimento, muitas, mas aconteceu. É um sonho
sempre a realizar-se, de pessoas muito diferentes entre si, mas que
acima de tudo querem trabalhar em arte juntas. Diz o Andrea que não
escolhem o que fazem por nenhuma razão explicável, escolhem
porque tem de ser. É verdade que nós reconhecemos no
que eles gostam, aquilo que gostamos. Também é verdade
que eles são produtores e nós criadores. Mas o mais
importante, o que provavelmente nos faz sentir tão em casa
uns com os outros, é o facto de explicarmos o nascimento do
Visões, o que somos e o porquê das nossas escolhas quase
com as mesmas palavras com que eles falam da Edison. Falamos português
e italiano na mesma língua.
Parma, 9 de Maio, eleições em Itália
[ CC ]
Silvio Berlusconi enviou uma bonita revista a todos os Italianos
para que o possam conhecer melhor. Um dos textos por si assinados
é dedicado ao seu pai; de forma simples e tocante recorda os
Domingos passados em família, fala da missa, do almoço
preparado pela mãe, da ida ao futebol com o pai e da capacidade
de sonhar. Qualquer um de nós se reconhece inevitavelmente
naquelas palavras, pelo que forçosamente será tentado
a olhar Berlusconi com a bondade reservada aos que nos são
queridos.
Esta forma de estar na política enoja-me profundamente. Domingos
de mão dada com a família todos nós temos. Eles
nada acrescentam à nossa capacidade de fazer algo de relevante
pela Pólis, isto é, não nos distinguem em nada
de ninguém. E ainda assim eles há que insistem em atirar-nos
à cara com as fotografias amarelecidas da infância, na
esperança que as lágrimas nos turvem a visão
e nos impeçam de ver o vazio das suas propostas. Nos impeçam
de compreender que eles não têm nada para nos dar e que
apenas procuram a melhor maneira de tirar o que precisam.
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