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Bari, 14 de Maio [ CM ]
Os miúdos na rua que jogam à bola falam uma língua
que não sou capaz de reconhecer, olham de lado e têm
agressividade em todos os seus movimentos.
No porto há uma família grande com imensa bagagem. Não
são com certeza turistas.
Já no barco há quem coma, meio escondido, de taparweres
e latas, e aparentemente não tenha onde guardar a bagagem.
Há mulheres com lenços na cabeça que lembram
notícias de países distantes.
No barco há dois lados e eu sinto que estamos do "outro
lado", aquele que gosto de achar que não é o nosso.
Agora a ideia de que os Balcãs são mesmo aqui ao lado
já não é teórica. São mesmo.
Mar Adriático, 15 de Maio, isto da Europa
[ CC ]
Alguém disse, a propósito do peso da história,
que o Europeu tem uma gigantesca cabeça de mármore entre
as mãos e não sabe o que lhe há de fazer. Talvez
por isso, quando nas nossas fronteiras se vão acumulando países
económica e socialmente destroçados, parecemos estar
a dizer:
Com certeza, vamos já tratar disso ... deixem-nos só
arranjar um sítio para pousar esta cabeça ...
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