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Conferência de Daniel Libeskind - Nota sobre
o vazio I [ PC ]
Planos retorcidos, planos não ortogonais, fronteiras que separam
pessoas, novas perspectivas (mais uma vez), espaços vazios...
Imagino um "palco", um espaço de fronteira onde cada
grupo de espectadores não visse o outro. Teria de haver pelo
menos cinco grupos de pelo menos quinze a vinte pessoas cada. Esse
espaço de fronteira era bem visível e o que um grupo
via, outro escutava, outro via em contraluz, etc... nenhum grupo via
o mesmo que outro.
As pessoas sentem a presença de outras, desconfiam do que vêm
e umas das outras. No fim os "panos" acabam sempre por cair
e fica apenas um silêncio de desespero (?) e uma luz circular,
central, branca bem definida de esperança (?) - o vazio.
Aachen 28 de Maio [ AV
]
Da cidade de Aachen (ou Aix-La-Chapelle) ficamos a conhecer pouco
ou nada. A passagem é rápida o único desvio
que optámos por fazer nesta viagem, para podermos ouvir Daniel
Libeskind falar do seu trabalho. Aachen acaba por se resumir às
duas ou três ruas que levam à Spaarkasse, o edifício
bancário onde o arquitecto faz a sua palestra.
De Daniel Libeskind ficámos a saber mais. À admiração
pelo seu processo criativo e pela sua coragem juntou-se a admiração
pelo seu entusiasmo, pela sua energia, pelo seu optimismo inebriante,
visível até quando fala dos momentos maus da sua carreira
ou dos horrores do Holocausto.
Das suas palavras destaco em primeiro plano uma citação
de Winston Churchill que, muito lucidamente, dizia que se há
coisa com que podemos contar no futuro ela é a continuidade
do conflito.
Daniel Libeskind [ CM ]
Um romano olha pela janela e vê o Coliseu e pensa que é
eterno. Nunca imaginará as ruínas de hoje. O homem que
olha hoje do cimo do arranha-céus também não
imagina as ruínas de amanhã. Mas elas são inevitáveis.
Já Angelopoulos nos tinha falado destas ruínas, que
segundo ele começam quando o império se torna arrogante.
Se calhar o momento de arrogância de que fala Angelopoulos lê-se
na incapacidade do Homem de que fala Libeskind de sequer conceber
a ruína do que vê. Quando já se está tão
seguro que o fim não existe, a necessidade de ousar, de repensar,
de ver o avesso, morre. Tudo é lógico e a evolução
um dado adquirido. Um dia o que foi construído sobre o que
já era podre cai. E aquela cidade, para usar a matéria
dos sonhos de Libeskind, que experimentou uma nova forma de se equacionar,
bem como à sua relação com a terra, a cultura,
os Homens, é o futuro. Pelo menos enquanto o fim estiver presente
na sua construção.
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